Yoga: Presença, Consciência e o Mito do "Mundo da Lua"
- Redação Entre Asanas

- há 1 dia
- 3 min de leitura
Por Revista Entre Asanas
Nos últimos anos, o Yoga tem ganhado cada vez mais espaço no Brasil — nas academias, nas empresas, nas escolas e nas rotinas pessoais. Ainda assim, muitas pessoas carregam impressões antigas ou pouco precisas sobre o que a prática realmente representa. Entre esses equívocos, um dos mais comuns é a ideia de que “quem faz Yoga vive no mundo da lua”. Mas será que isso faz sentido quando analisamos a filosofia e a prática com mais profundidade?
Nesta reportagem, vamos explorar por que a visão de que o Yoga "desconecta da realidade" é um mito — e como, na verdade, ele ajuda a desenvolver foco, autoconhecimento e presença.

De doutrina? Não. O Yoga é um caminho prático de transformação.
Em uma conversa recente, alguém relatou que ouviu de um líder religioso que o Yoga seria uma "doutrina". É importante esclarecer: embora o Yoga possua uma base filosófica milenar, ele não é uma religião e tampouco exige adesão a crenças dogmáticas.
O Yoga nasceu como um sistema de autoconhecimento. Seus ensinamentos, reunidos em textos como os Yoga Sutras de Patanjali, não impõem fé — eles oferecem métodos.
O Sutra I.2, um dos mais citados, define:
“Yoga é a cessação das flutuações da mente.”
Ou seja, Yoga é um caminho para treinar a mente, apaziguar pensamentos dispersos e alcançar clareza interior. Nada disso exige abandonar ou substituir crenças religiosas. Pelo contrário, muitas pessoas fortalecem sua espiritualidade através da prática.
O mito do "mundo da lua"
A afirmação de que praticantes de Yoga "vivem no mundo da lua" parece nascer mais de um mal-entendido cultural do que da realidade. Na verdade, um dos pilares do Yoga é justamente o oposto disso: presença.
O praticante trabalha a respiração, o alinhamento, a atenção ao corpo, a observação dos pensamentos e a escuta interior. Isso reduz distrações e fortalece a capacidade de estar totalmente no momento presente.
Em outras palavras:
O Yoga não tira ninguém da realidade — ele traz para dentro dela com mais consciência.
Estudos de neurociência mostram que práticas meditativas aumentam a atividade do córtex pré-frontal, região relacionada à atenção, tomada de decisão e autocontrole. Isso significa mais foco, não menos. Mais lucidez, não mais devaneio.
Presença é o centro da prática
Quando uma pessoa parece “desligada”, o que está faltando não é Yoga — é a habilidade de se observar. O Yoga treina exatamente essa habilidade.
Asana (as posturas) não é sobre contorcionismo, mas sobre atenção plena.
Pranayama (as técnicas de respiração) não é sobre ritual, mas sobre regulação emocional.
Dhyana (a meditação) não é fuga, mas mergulho na realidade interior.
Nada disso é compatível com estar “no mundo da lua”.
Um olhar respeitoso para quem tem fé
Para muitos praticantes católicos, evangélicos ou espíritas, o Yoga funciona como um complemento espiritual, não uma concorrência. Assim como a oração acalma a alma, o Yoga acalma a mente. Ambas as práticas convidam ao silêncio, à introspecção, à escuta.
Yoga não pede conversão. Ele convida à consciência.
Conclusão: o Yoga devolve o praticante ao presente
Se há algo que o Yoga ensina, é isto:
“O Yoga não me tira do mundo. Ele me devolve a mim mesma — mais equilibrada, mais consciente e mais preparada para a vida real.”
Em tempos de excesso de estímulos, velocidade e dispersão, a verdadeira revolução pode estar em simplesmente aprender a respirar, ancorar-se no agora e ouvir o próprio coração.
E é exatamente isso que o Yoga oferece — presença, profundidade e verdade.
Revista Entre Asanas – Inspirando consciência, movimento e transformação.






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