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O excesso que adoece: silenciar a mente é uma questão de preservar a sua saúde mental

Ansiedade, estresse crônico e esgotamento emocional crescem no mundo inteiro e indicam uma mudança de paradigma: reduzir o ruído interno deixou de ser um luxo espiritual e passou a ser uma necessidade coletiva.


Por Redação


Vivemos um paradoxo contemporâneo. Enquanto o interesse por bem-estar, autocuidado e espiritualidade cresce de forma consistente, os índices de ansiedade, estresse e sensação de esgotamento também aumentam. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que os transtornos de ansiedade cresceram mais de 25% globalmente nos últimos anos, impulsionados por fatores como sobrecarga de informação, insegurança econômica e dificuldade de manter a atenção no presente.


Nesse cenário, práticas que estimulam autorregulação emocional, atenção e consciência vêm sendo cada vez mais estudadas e incorporadas como estratégias de saúde integral.



Pesquisas em neurociência e psicologia apontam que o excesso de estímulos e a necessidade constante de controle mantêm o sistema nervoso em estado de alerta contínuo, afetando diretamente o sono, a imunidade e a saúde mental. A redução desse estado não depende apenas de mudanças externas, mas da forma como cada indivíduo se relaciona com pensamentos, emoções e expectativas.


Mais do que adquirir novas técnicas, esse processo envolve revisar padrões automáticos que afastam a mente do momento presente.


Quando controlar demais cobra um preço alto


Estudos mostram que a tentativa permanente de controle ativa regiões cerebrais associadas à vigilância e ao medo, elevando os níveis de cortisol, o hormônio do estresse. A longo prazo, esse padrão está ligado a quadros de ansiedade, irritabilidade, fadiga mental e dificuldade de concentração.


A filosofia do Yoga já observava essa relação entre controle e sofrimento há mais de dois mil anos. Nos Yoga Sutras, Patanjali afirma que o sofrimento nasce da identificação excessiva com os movimentos da mente:

“Yoga é a cessação das flutuações da mente.”— Yoga Sutras de Patanjali, I.2

Silenciar, nesse contexto, não significa ausência de pensamento, mas a redução da agitação interna que distorce a percepção da realidade.


A cultura da escassez e seus efeitos emocionais


Outro fator relevante é a percepção constante de falta — de tempo, de reconhecimento, de estabilidade ou de afeto. Pesquisas da psicologia positiva indicam que esse padrão cognitivo está associado a maior risco de depressão e insatisfação crônica.


Em contrapartida, estudos mostram que estados frequentes de gratidão e presença estão relacionados à redução de sintomas depressivos e ao aumento da sensação de bem-estar. A mudança não ocorre pela negação da realidade, mas pela forma como a atenção é direcionada.


Identidade, desempenho e exaustão


No ambiente profissional e social, a associação excessiva entre valor pessoal e produtividade tem sido apontada como um dos principais fatores de esgotamento emocional. A necessidade constante de validação gera comparação, ansiedade e perda de sentido.

A filosofia do Yoga compreende o ego (asmita) como uma função necessária, porém limitada. Quando o indivíduo se confunde apenas com seus papéis e conquistas, perde contato com sua dimensão essencial. Os Upanishads já alertavam para essa confusão:

“Quando o ser humano se identifica apenas com o que muda, esquece aquilo que permanece.”— Upanishads

Reduzir o ruído interno não significa abrir mão de objetivos, mas recuperar clareza e discernimento.


Pensamentos automáticos não são fatos


Pesquisas em psicologia cognitiva indicam que grande parte dos pensamentos diários é automática e, muitas vezes, negativa. Quando não observados, esses pensamentos moldam emoções e comportamentos sem que o indivíduo perceba.

Na filosofia do Yoga, a capacidade de observar sem se identificar é chamada de viveka, o discernimento. Patanjali descreve esse processo ao apontar que a ignorância nasce da confusão entre o transitório e o essencial:


“A ignorância é tomar o transitório como permanente, o não-eu como o eu.”— Yoga Sutras de Patanjali, II.5

Criar espaço entre estímulo e resposta reduz impulsividade e amplia estabilidade emocional.


O passado que permanece no corpo


Estudos em psicossomática e trauma mostram que experiências emocionais não elaboradas podem se manifestar fisicamente, por meio de dores crônicas, tensões musculares e padrões respiratórios limitados.

A filosofia do Yoga reconhece o corpo como um campo legítimo de transformação. O Hatha Yoga Pradipika reforça que mente e energia caminham juntas:


“Onde a mente vai, a energia segue.”— Hatha Yoga Pradipika

Práticas corporais conscientes ajudam a liberar esses registros, permitindo que o passado seja integrado como aprendizado, e não como prisão.


Intuição, atenção e tomada de decisão


Pesquisas recentes indicam que pessoas com maior capacidade de atenção sustentada tomam decisões mais alinhadas aos próprios valores. Nesse contexto, a intuição deixa de ser algo abstrato e passa a ser compreendida como percepção refinada.


Quanto menor o ruído mental, maior a clareza interna.


Menos excesso, mais presença


O que esses dados revelam é uma mudança de paradigma: saúde emocional e espiritual não estão ligadas ao acúmulo de estímulos, respostas prontas ou desempenho constante, mas à capacidade de silenciar, observar e estar presente.

A filosofia do Yoga sintetiza essa visão ao propor equilíbrio entre ação e consciência. Como afirma o Bhagavad Gita:


“Yoga é equilíbrio.”— Bhagavad Gita, II.48

Equilíbrio entre esforço e entrega, movimento e pausa, silêncio e expressão.


A visão da filosofia do Yoga hoje


Os princípios abordados nesta reportagem dialogam diretamente com a filosofia do Yoga, sistematizada em textos clássicos como os Yoga Sutras de Patanjali, os Upanishads, o Bhagavad Gita e o Hatha Yoga Pradipika. Esses ensinamentos compreendem o sofrimento humano como resultado da identificação excessiva com pensamentos, emoções e papéis transitórios.


Ao propor práticas de atenção, observação e presença, o Yoga se apresenta como um sistema de autoconhecimento que atravessa séculos e, hoje, encontra respaldo em estudos científicos sobre saúde mental, neurociência e comportamento.

Mais do que uma tradição espiritual, trata-se de uma filosofia prática para lidar com os desafios contemporâneos: excesso de estímulos, ansiedade e perda de sentido.


Para aprofundar

Os fundamentos filosóficos apresentados nesta matéria fazem parte do estudo sistemático da filosofia do Yoga aplicada à vida cotidiana.

Saiba mais acessando:🌐 www.plataformadeyoga.com.br


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