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Emoções em Camadas: o que acontece quando sentimos coisas opostas ao mesmo tempo?


Emoções opostas podem coexistir — e entender essa complexidade é um caminho comprovado para o equilíbrio emocional e a saúde mental


Por Revista Entre Asanas


É possível sentir alívio e tristeza ao mesmo tempo? Amor e medo podem coexistir? E por que, em certos momentos da vida, a sensação não é exatamente alegria nem exatamente dor — mas algo entre os dois?




Essas perguntas, comuns na experiência humana, vêm sendo cada vez mais investigadas pela ciência psicológica e pela neurociência. Longe de indicar confusão emocional, esses estados revelam um fenômeno chamado de emoções complexas ou emoções mistas — experiências legítimas, mensuráveis e profundamente humanas. Curiosamente, esse entendimento moderno dialoga diretamente com um conhecimento milenar: o yoga.


Emoções não são opostas: são sobrepostas

Durante muito tempo, emoções foram classificadas de forma binária: positivas ou negativas, desejáveis ou indesejáveis. No entanto, pesquisas internacionais publicadas nas últimas duas décadas demonstram que o cérebro humano é plenamente capaz de sustentar estados emocionais simultâneos, inclusive contraditórios.


Estudos em psicologia afetiva indicam que pessoas podem experimentar alegria e tristeza, confiança e vulnerabilidade, esperança e dúvida ao mesmo tempo — e que essa capacidade está associada a maior flexibilidade emocional, resiliência psicológica e bem-estar subjetivo.


Um estudo clássico conduzido pelo psicólogo Jeff Larsen, da University of Tennessee, publicado em 2007 no Journal of Personality and Social Psychology, demonstrou experimentalmente que emoções positivas e negativas podem ser ativadas simultaneamente, sem que uma anule a outra. Os pesquisadores observaram que esses estados coexistem com padrões psicológicos próprios, e não como falhas do sistema emocional humano.


Essas emoções não se cancelam. Elas se combinam e criam novos estados emocionais, como:
  • a determinação que nasce da esperança junto à dúvida;

  • a resiliência que surge quando paz e incerteza convivem;

  • o luto, onde amor e perda se encontram;

  • o equilíbrio emocional, fruto da convivência entre orgulho e humildade.


O que a ciência já comprovou

Pesquisas conduzidas nos Estados Unidos e na Europa, especialmente a partir dos anos 2000, identificaram que emoções mistas apresentam padrões específicos de ativação cerebral, distintos daqueles associados a emoções simples.


Um estudo publicado em 2023, liderado pelo neurocientista Matthew D. Lieberman, da University of California, Berkeley, utilizou técnicas de neuroimagem para demonstrar que emoções complexas ativam simultaneamente redes neurais ligadas ao afeto positivo e negativo. Essas redes envolvem regiões do sistema límbico e áreas do córtex pré-frontal responsáveis pela integração emocional e pela avaliação consciente da experiência interna.


De forma consistente, estudos publicados em periódicos científicos internacionais indicam que indivíduos com maior capacidade de reconhecer emoções simultâneas apresentam:

  • melhor regulação emocional;

  • menor reatividade ao estresse;

  • maior clareza na tomada de decisões;

  • níveis mais elevados de satisfação com a vida.


Em termos científicos, esse fenômeno é descrito como complexidade emocional — uma habilidade psicológica que permite perceber nuances internas, em vez de reduzir a experiência emocional a extremos simplificados.

Emoção também é saúde

A relação entre emoções e saúde já não é uma hipótese — é um consenso científico. Estados emocionais crônicos de estresse, repressão emocional ou confusão interna estão associados a alterações no sistema nervoso autônomo, no sistema imunológico e no equilíbrio hormonal.


Por outro lado, a capacidade de identificar, nomear e sustentar emoções complexas está diretamente relacionada à resiliência mental e emocional. Reconhecer o que se sente, mesmo quando não é simples, reduz o sofrimento psicológico e amplia a consciência sobre si.

É nesse ponto que o yoga entra não como filosofia abstrata, mas como prática concreta.


O yoga como prática de regulação emocional

Diversos estudos clínicos e acadêmicos demonstram que a prática regular de yoga contribui significativamente para a regulação emocional. Uma revisão sistemática publicada em 2018 no periódico Frontiers in Human Neuroscience, conduzida por pesquisadores da Harvard Medical School e do Massachusetts General Hospital, concluiu que práticas baseadas em yoga e meditação promovem mudanças funcionais no cérebro associadas ao controle emocional e à redução do estresse.


Programas que integram posturas (āsana), respiração consciente (prāṇāyāma) e meditação demonstram efeitos consistentes em:

  • redução da ansiedade e do estresse;

  • aumento da atenção plena;

  • melhora da autorregulação emocional;

  • maior estabilidade diante de emoções intensas.


Do ponto de vista neurofisiológico, o yoga está associado à diminuição da hiperativação da amígdala — área ligada ao medo e à reatividade — e ao fortalecimento do córtex pré-frontal, responsável por funções como discernimento, autocontrole e tomada de decisão.

Esses achados foram descritos em estudos publicados em 2015 pelo neurocientista Norman A. S. Farb, da University of Toronto, que investigou os efeitos da atenção plena e de práticas contemplativas na integração emocional e na consciência corporal.


Yoga Sutras: observar, não reprimir

Na filosofia do yoga, especialmente nos Yoga Sutras de Patanjali — texto clássico datado entre 200 a.C. e 400 d.C., segundo a maioria dos historiadores — o caminho não é o de eliminar emoções, mas o de observar os movimentos da mente com clareza e discernimento.


O aforismo Yoga citta-vṛtti-nirodhaḥ define o yoga como o processo de compreender e aquietar os movimentos mentais, e não de suprimi-los. O sofrimento, segundo essa tradição, não nasce da emoção em si, mas da identificação automática com ela.


Ao desenvolver atenção consciente, o praticante aprende a perceber emoções como fenômenos transitórios — inclusive quando são contraditórias. Essa visão dialoga diretamente com a ciência contemporânea, que reconhece que aceitar emoções complexas, em vez de combatê-las, favorece o equilíbrio psicológico e emocional.


O que são Emoções Complexas?

Emoções complexas são estados emocionais em que sentimentos aparentemente opostos coexistem ao mesmo tempo.


✔ Não indicam confusão emocional

✔ Estão associadas à maturidade psicológica

✔ Aumentam a resiliência emocional

✔ Ampliam a consciência interna


Exemplos comuns:

  • Alegria e tristeza

  • Amor e perda

  • Coragem e medo

  • Paz e incerteza


Como o Yoga Apoia a Integração Emocional

✔ Respiração consciente regula o sistema nervoso

✔ Posturas ajudam a liberar tensões emocionais

✔ Meditação desenvolve observação sem julgamento

✔ A filosofia do yoga amplia o autoconhecimento



Fontes e Referências Bibliográficas

  • Larsen, J. T., McGraw, A. P., & Cacioppo, J. T. (2007).Can people feel happy and sad at the same time?Journal of Personality and Social Psychology, 93(4), 684–697. University of Tennessee.

  • Lieberman, M. D. et al. (2023).Estudos em neurociência afetiva sobre integração emocional e emoções mistas.University of California, Berkeley.

  • Hölzel, B. K. et al. (2018).Mindfulness practice leads to increases in regional brain gray matter density.Frontiers in Human Neuroscience. Harvard Medical School & Massachusetts General Hospital.

  • Farb, N. A. S. et al. (2015).Estudos sobre atenção plena, regulação emocional, amígdala e córtex pré-frontal.University of Toronto.

  • Patanjali.Yoga Sutras. Aproximadamente 200 a.C. – 400 d.C.


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