28 de Junho: Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAP+

Comunidade luta por respeito e direitos iguais e quer mais do que Diversidade, quer Inclusão no mercado de trabalho


Por Helyda Gomes


Lutar por direitos e respeito é o cotidiano da comunidade LGBTQIAP+ e de tantos outros grupos que sofrem preconceito simplesmente por serem quem são. Mas se a aceitação social é difícil, conquistar um ambiente de trabalho inclusivo e acolhedor torna-se um grande desafio. A Aliança Nacional LGBTI estima que o desemprego possa chegar a 40% na comunidade e a 70% na população trans. Percentuais muito acima dos 14,4% de desempregados na população geral, segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.

Fernanda Perregil, advogada e vice-presidenta da Associação Brasileira de Mulheres Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABMLBTI) - organização que tem como objetivos o ativismo por meio do Direito, o advocacy e a ação social para enfrentamento às discriminações LGBTIfóbicas e de gênero -, explicou que o Judiciário tem tido um papel fundamental na última década, na conquista de direitos da população LGBTQIAP+.

Ela citou como exemplos o reconhecimento da LGBTIfobia como crime de racismo e o acordo entre o Ministério da Economia e a Defensoria Pública da União, visando possibilitar que as pessoas travestis e transexuais tenham garantido o direito ao uso do nome social na carteira de trabalho.


“Mesmo com um momento político e social tão complicado, temos avançado na conquista de direitos. As empresas estão se movendo para serem mais inclusivas, mas ainda há a necessidade de práticas mais efetivas e com o real entendimento do tema. Existe uma exigência do próprio mercado para que as empresas se posicionem sobre problemas socioeconômicos, incluindo a criação de práticas antidiscriminatórias em seu planejamento empresarial. O Brasil é um país com muitas desigualdades sociais e precisamos que as empresas assumam um compromisso de enfrentar esse problema”, comenta.

Para Fernanda, as empresas que não apostam em diversidade perdem em inovação, criatividade e competitividade. Um ambiente de trabalho diverso e inclusivo contribui para um ambiente saudável e seguro, que não só valoriza as diferenças, como também propicia que as pessoas possam ser elas mesmas”, afirma.


Opinião compartilhada pela especialista em Diversidade e Inclusão, Cris Kerr, que comentou que as empresas se mostram mais interessadas em contribuir para a diversidade e inclusão no trabalho, e que esse movimento é visto, principalmente, entre as multinacionais e em alguns setores específicos como na indústria farmacêutica, na área Jurídica e no setor de bens de consumo. Mas Cris alerta para a diferença entre os termos Diversidade e Inclusão


“Não adianta trazer diversidade se não há um ambiente inclusivo dentro das empresas. É fundamental trabalhar na mudança cultural da organização, porque sem essa mudança atraímos a diversidade, mas não conseguimos retê-la. Esse é o grande desafio das empresas, a atração e a retenção”, completa.

Para a criação desse ambiente inclusivo, ela destaca a importância do envolvimento da alta liderança:


“Não é só do RH a responsabilidade de integrar. As principais pessoas a criar essa integração são as lideranças, porque é isso que faz com que as pessoas se sintam pertencentes ao ambiente de trabalho e seguras, podendo ser elas mesmas”, explica.

Ela ressaltou ainda que as empresas precisam rever valores, se organizar com treinamentos de conscientização, criar códigos de conduta para diversidade e inclusão, criar canais de denúncia para que casos de assédio sejam reportados, entre outras ações.