Saúde mental no mundo corporativo

OMS revela que Brasil é o país mais ansioso do mundo, e pandemia agravou a situação, principalmente, nas relações das empresas e seus colaboradores


Por Ana Clara Oliveira


A pandemia chegou apresentando um contexto completamente novo a todo o mundo e com ela veio a reestruturação das empresas para criar um ambiente mais saudável física e mentalmente aos colaboradores, já que muitas adotaram o modelo home office.


Além de se preocupar com o bem-estar corporativo, as organizações ainda garantem a lucratividade dos negócios — que estavam frente a uma crise econômica sem precedentes.

Por conta disto, o ambiente corporativo precisou passar por transformações e chegou o momento em que as tarefas simples do dia a dia começaram a ganhar espaço na internet como assistir aulas, palestras, conversar com amigos etc. Consequentemente, o convívio diário abriu espaço às reuniões virtuais; famílias — principalmente as mulheres que, infelizmente, ainda vivem em uma sociedade machista — precisaram dividir o tempo entre trabalhar, cuidar da casa, dos filhos (já que as escolas também pararam) e ainda administrar o emocional.


“Muitas pessoas que antes tinham uma rotina de sair para trabalhar, começaram a trabalhar de dentro de sua residência e a maioria não tem a possibilidade de se desligar de outras tarefas para se dedicar somente ao trabalho. E, com isso, inicia uma cobrança interna de achar que tem que dar conta de tudo e que tem que estar perfeito”, comentou a psicóloga Juliene Cordeiro ao acrescentar que não é possível ser 100% em tudo o que faz precisando ser uma pessoa multitarefas.


Saúde mental no Brasil


Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com maior índice de pessoas com depressão em toda a América Latina e também o país mais ansioso do mundo. E isso representa 9,3% dos brasileiros, o que corresponde a mais de 18 milhões de pessoas que convivem com a ansiedade.


A solidão ainda pode ser considerada um dos gatilhos que impulsionam os transtornos psicológicos. Com o trabalho remoto, veio também a insegurança em relação à estabilidade do emprego, já que a crise econômica chegou para a maioria dos segmentos do mercado e diversas empresas precisaram fechar as portas. A pressão psicológica em cima dessa questão levanta ainda mais chance de transtornos mentais e síndromes mais graves, como o “Burnout”, que atinge pessoas com nível de estresse crônico e exaustão física e emocional.






Empresas adotam diferentes posturas


Uma pesquisa feita pela Associação Brasileira de Recursos Humanos com CEOs brasileiros observou três diferentes posturas de líderes empresariais frente à crise econômica. A primeira remete a um grupo que apresenta preocupação com a saúde dos colaboradores e menos com os negócios, que dependem das negociações exteriores e comerciais em dólar. A segunda é so