Introdução ao Bhagavad-gitã (1/3)

Quando estamos materialmente contaminados, somos chamados condi­cionados. A consciência falsa se exibe sob a impressão de que eu sou um produto da natureza material. Isto se chama falso ego.


Extraído Por Helena Bhagavati do “Bhagavad Gita como Ele é” de Swami Prabhupada





Bhagavad-gitã é a essência do conhecimento védico, e deve ser aceito como é instruído pelo próprio orador. O orador do Bhagavad-gitã é o Senhor Sri Krishna. Ele é mencionado no Bhagavad-gitã como a Suprema Personalidade de Deus, Bhagavãn


No 4o capítulo do Gitã está dito “este sistema de yoga do Bhagavad-gitã, foi primeiramente falado ao deus do sol e o deus do sol o explicou a Manu, e Manu o

explicou a lkvãku, e dessa forma, por sucessão discipular, um orador depois do outro, este sistema de yoga vem sendo transmitido”. Porém com o decorrer do tempo ele se perdeu, e o Senhor teve de falá-lo novamente, para Arjuna no Campo de Batalha de Kuruketra. Krishna diz a Arjuna que está lhe relatando este segredo supremo porque Arjuna é Seu devoto e Seu amigo. Isto significa que o Bhagavad-gitã é um tratado especialmente destinado ao devoto do Senhor.

Sem que leiamos o Bhagavad-gitã com espírito submisso, é muito difícil compreender o Bhagavad-gítã


O propósito do Bhagavad-gitã é salvar a humanidade da necessidade da existência material. O ser humano está em dificuldade de muitas maneiras, como Arjuna estava também em dificuldade porque tinha de lutar na Batalha de Kuruksetra. Arjuna rendeu-se a Sri Krishna e como conseqüência este Bhagavad-gítã foi falado. Não só Arjuna, mas cada um de nós está cheio de ansiedades por causa desta existência material. A nossa própria existência está numa atmosfera de não-existência.


São estudantes adequados para entender o Bhagavad-gitã aqueles que começam a perguntar por que sofrem ou de onde vieram e aonde irão depois da morte. O estudante sincero deve também ter um firme respeito pela Suprema Personalidade de Deus. Arjuna era um estudante assim. Arjuna foi posto em ignorância no Campo de Batalha de Kuruksetra apenas para inquirir do Senhor Krishna sobre os problemas da vida, de forma que o Senhor pudesse explicá-los para o benefício das gerações futuras de seres humanos e traçar assim o plano da vida. Então o homem poderia agir de acordo e aperfeiçoar a missão da vida humana.


O tema do Bhagavad-gitã vincula a compreensão de cinco verdades básicas: Em primeiro lugar, a ciência de Deus é explicada e depois a posição constitu­cional das entidades vivas, Jivas. Há o Iswara, o controlador e há as Jivas, as entidades vivas que são controladas. Se uma entidade viva diz que não é controlada mas que é livre, então ela é insana. O ser vivo é controlado em todos os aspectos, pelo menos em sua vida condicionada. Bhagavad-gitã trata de Iswara, o controlador supremo, e Jivas, as entidades vivas con­troladas. Prakrti (natureza material) e tempo (a duração da existência de todo o universo ou a manifestação da natureza material) e karma (atividade) são também discutidos.


A manifestação cósmica é cheia de diferentes atividades. Todas as entidades vivas se ocupam em diferentes atividades. Do Bhagavad-gitã temos que aprender o que é Deus, o que são as entidades vivas, o que é prakrti, o que é a manifestação cósmica, como ela é controlada pelo tempo e quais são as atividades das entidades vivas.


Dentre estes cinco temas básicos do Bhagavad-gitã está estabelecido que o Deus Supremo, Krishna, ou Brahman, ou controlador supremo, ou Paramãtmã - você pode usar qualquer nome que gostar - é o maior de todos.


Os seres vivos em qualidade são como o controlador supremo. Por exemplo, o Senhor tem controle sobre todos os assuntos universais, sobre a natureza material etc. A natureza material não é independente. Ela age sob as direções do Senhor Supremo. Krishna diz: "A prakrti trabalha sob Minha direção." Quando nós vemos coisas maravilhosas acontecendo na natureza cósmica, devemos saber que por trás desta manifestação cósmica existe um controlador. Nada poderia se manifestar sem ser controlado. É infantilidade não levar o controlador em con­sideração. Uma criança, por exemplo, pode achar que um automóvel é realmente maravilhoso por ser capaz de andar sem um cavalo ou outro animal puxando-o, mas o homem são conhece a natureza do motor do automóvel. Ele sempre sabe que atrás da maquinaria há um homem, um motorista.


Similarmente, o Senhor Supremo é um condutor sob cuja direção tudo trabalha. Bem, os jivas, ou as en­tidades vivas, são aceitas pelo Senhor como suas partes e parcelas. Uma partícula de ouro também é ouro, uma gota da água do oceano também é salgada, e similarmente nós, as entidades vivas, sendo partes e parcelas do controlador supremo, Isvara, ou Bhagavãn, o Senhor Sri Krishna, temos todas as qualidades do Senhor Supremo em quantidade diminuta porque somos diminutos Isvaras, Isvaras subordinados. Tentamos controlar a natureza, como presentemente estamos tentando controlar o espaço ou os planetas, e esta tendência a controlar existe porque ela está em Krishna· Mas embora tenhamos uma tendência a dominar a natureza material, devemos saber que não somos o controlador supremo.


Que é a natureza material? Ela também é descrita no Gitã como prakrti in­ferior, natureza inferior. A entidade viva é descrita como pr