Ondas em equilíbrio com o yoga

Das ondas para o tapetinho, a campeã do surfe brasileiro Andrea Lopes conta como vem utilizando o Yoga para equilibrar corpo e mente


Por Tatiana Notaro




Respirar, estar no presente, ter assertividade e calma para competir. Quando a surfista, praticante do yoga e ex-atleta de ponta, Andréa Lopes, fala sobre surf e yoga, é possível compreender como um completa o outro - e seus resultados no mar, em meio a competições oficiais por quase três décadas, mostram um brilhante trabalho em conjunto. Hoje, longe do ambiente competitivo, a surfista une o yoga às aulas de surf, vivencia essa relação e tem um trabalho parceiro com o Riserva Zen.

Andrea Lopes apareceu como uma surfista diferenciada aos 14 anos, em 1987. O tempo sequenciou uma escalada profissional que começou na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, até ganhar o mundo: títulos de penta campeã brasileira amadora, tetracampeã brasileira profissional, campeã Women's Championship Tour e Pan-Americana fazem parte do currículo. É em 2016 que a carreira ganha outro prumo, quando ela cria a Andrea Lopes Surf School.


Enquanto competidora, Andréa usava a prática do yoga para a vida e sabia como aplicá-la de forma estratégica para momentos tensos e decisivos. Para a prancha, o yoga concedia flexibilidade, respiração regrada, conexão consigo mesma.


“Comecei o yoga aos 17 anos, no início da minha vida de atleta profissional. Era muita pressão e o yoga me devolvia calma, conexão com o presente e comigo mesma. Tudo o que o mundo da competição acabava me tirando”, recorda.

Andréa tinha plena consciência dos benefícios que a aliança das duas atividades traziam, mas, conta, foi tragada pela rotina cansativa de treinos, baterias e relação com patrocinadores.



“Eu viajava demais e não conseguia encaixar o yoga no meu dia. Na verdade, eu estava me esquivando, porque a gente sempre consegue o que quer”, pondera.


O momento era de muita cobrança e, diante de tudo, Andréa sentia que ia saindo da própria essência.


“Eu pensava que precisava voltar, aquela não era eu, era a vida engolida pela fama, pelo dinheiro, pela competição. Certo momento, não dava mais para sustentar aquela “separação” e a volta foi definitiva.”

E em um esporte com maior presença de homens, era o yoga que devolvia a Andréa a sua essência feminina, seu yin.


“O silêncio, a calma, a leitura, o prazer de fazer a comida. Tira-me um pouco dessa coisa de ‘guerreira’, desse mundo do surf que eu fui quebrando barreiras. Mas ambos completam meu caminhar e estando aqui, hoje, defendo ambos. Um me traz muita coragem; o outro, equilíbrio”.




Yoga e surf (e vice-versa)